Mães que viajam: Conheça a história da Jô

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Exija seus direitos sem sair de casa

Com os filhos crescidos e a aposentadoria se aproximando, a vida poderia ter sido completamente diferente para a Josefa.

Isso porque ela decidiu abrir mão de ser a típica avó que cuida dos netos para conhecer o mundo de frente.

Conheça a história da Jô, que após anos trabalhando em presídios no Ceará, realizou seu sonho de viajar. Hoje, ela conhece cerca de 47 países e compartilhou sua história conosco.

Quer saber mais sobre as descobertas que Jô fez viajando o mundo? Acompanhe a leitura.

De sonho distante para realidade redescoberta

Quando começa a vontade de viajar dentro dos aventureiros?

Viajar, para a maioria dos aventureiros mundo afora, geralmente começa com uma vontade latente de conhecer o não visto. E  com a Jô não foi diferente.

Ainda criança, assistir os romeiros enchendo sua cidade natal, Juazeiro do Norte no Ceará, era motivo para ficar maravilhada. Isso só de pensar na possibilidade de ir e vir quando quisesse. Também lembra de olhar o mapa do Brasil e pensar nos caminhos que poderia chegar.

Após entender que somente através da educação iria conseguir sair da vida do interior e ganhar o mundo. Por sorte, na história de Jô a família não foi um empecilho.

Quando alguém falava ‘quero ir embora’, ela dizia ‘agora, vamos buscar a mala’.”

Segundo ela, sua mãe mesmo era um ótimo exemplo de quem deixou os filhos viverem suas próprias vidas: “Quando alguém falava ‘quero ir embora’, ela dizia ‘agora, vamos buscar a mala’.”

No entanto, sua vida de viajante só tomou um norte quando percebeu que os três filhos já estavam criados. Para ela, era a hora de “cair dentro”.

De mãe de três para viajante experiente

Hoje, Jô contabiliza 47 países visitados, contando com o Brasil e o Vaticano.

Depois de ter conhecido partes da Europa, Ásia e África, ela se preparava para uma viagem ambiciosa de conhecer todas as Américas, começando pela a América do Sul. Porém, seus planos foram interrompidos com a pandemia de Covid-19.

Saudosa dos muitos lugares que teve a chance de conhecer, Jô nos conta que seus preferidos foram o Vietnã, Índia e África do Sul. De todos os locais que conheceu, esses com certeza visitaria novamente, apesar de ter uma política de viajante de não repetir destinos.

Mas a voz da experiência no que diz respeito a planejar longos roteiros nem sempre foi assim.

Na verdade, o primeiro passo de viajante foi dado ainda no Brasil, fazendo a travessia do rio Amazonas, de Belém até Santarém. Depois, mais ambiciosa, decidiu conhecer a Europa, começando por Portugal.

Em Coimbra, Jô pode garantir uma estadia mais longa na Europa após ser convidada para uma série de palestras sobre seu trabalho no sistema prisional do estado do Ceará. Com essa oportunidade, conheceu 15 países europeus em um período de um ano, mesmo sem saber falar inglês e com o espanhol enferrujado.

Se aventurar no mundo não foi só um passo para a sua vida enquanto mulher recém aposentada, mas também para compartilhar seu conhecimento profissional.

Porém, essa jornada não foi fácil. De comentários maldosos e o julgamento da sua vontade latente de viajar, Josefa quebrou muitas barreiras para realizar seu sonho.

Casa pode ser qualquer lugar

Ter um sonho desacreditado não é fácil. Quando Jô começou a planejar suas primeiras viagens, ainda em 2008, não conhecia outras mães “como ela”.

“Ouvi gente dizendo que eu ia abandonar minha casa.”

Depois de ter contado sua história para grandes portais, dado palestras sobre seu trabalho mundo afora e ver os três filhos bem sucedidos, ela relembra como as pessoas desclassificando sua vontade no começo: “Ouvi muita gente dizendo que eu ia deixar minha casa, que eu ia abandonar minha casa.

Se existe um estereótipo de mãe e um de aventureiro, Jô quebrou todos eles. Ela conta que as pessoas “achavam que eu nem tinha dinheiro. Que eu não tinha coragem. E que eu tava velha pra fazer isso.

Com a primeira grande viagem planejada, tudo já estava certo para ela.

Mas foi em Lao, na China, que ela conheceu uma mãe “como ela”. No Natal, encontrou uma carioca que viajava o mundo com duas filhas pequenas. Como na China não tem Natal, decidiram matar a saudade de casa comemorando a data juntas.

A saudade de casa, segundo ela, é comum, mas também rápida e passageira. Josefa conta que quando ia fazer uma viagem mais longa, preparava uma caixa com lembranças do lugar para enviar aos filhos no Brasil.

“Não é o fato da gente estar longe que vai deixar de amar. A gente passa a amar mais ainda, que foi o meu caso.”

Com três filhos adultos, Jô confessa que eles amadureceram muito mais quando “saiu” da vida deles. Para ela, seus filhos “foram ver o mundo com seus próprios olhos”, conta. Como ela, eles escolheram fazer o que queriam.

Ela completa dizendo que “não é o fato da gente estar longe que vai deixar de amar. A gente passa a amar mais ainda, que foi o meu caso.”

Se estar perto é um estado de espírito, a tecnologia com certeza é crucial para os viajantes. Nesse caso, a facilidade de comunicação através de Whatsapp, e-mail e redes sociais foram um fator crucial: “Eu acho que viajei mais porque aprendi a usar a tecnologia”.

Viajar ou não viajar: eis a questão!

Com certeza, existem muitas mulheres ao redor do mundo como Josefa: mães e profissionais excelentes que, após os filhos tomarem seu rumo e a aposentadoria se aproximando, precisam se reinventar.

“É melhor se arrepender do que faz, do que se arrepender de não ter feito.”

Para Jô, as mulheres como ela, que já estão nos 50 anos, precisam dar prazer para suas vidas, se colocar no mundo e entender que merecem uma vida bacana. E pode ser qualquer coisa. Josefa acredita que “é melhor se arrepender do que faz, do que se arrepender de não ter feito”.

Isso pode ser qualquer outra coisa que preencha o espaço, não somente viajar.

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo Jô Feitosa em Paris, França. Em abril de 2019.

Ao pedirmos uma mensagem para as mães que, como ela, pensam em viajar, ela responde:

“O mundo é muito grande, Cada vez que a gente volta de uma viagem, a gente volta muito enriquecida. E a gente tem que fazer alguma coisa de bom pra gente. Não condeno também quem quer ficar na sua casa, que seu mundo é sua casa. Eu também já fui assim. Mas hoje eu prefiro morar no mundo. Eu acho que quem te viajar. Tem que sair do canto. Tem que fazer uma coisa boa por você. O mundo já joga muito a gente pra baixo nessa fase.”

Hoje, Josefa está vivendo em uma comunidade rural na Chapada Diamantina.

Ela havia programado uma viagem para conhecer todas as Américas em 2020, mas seus planos foram interrompidos pela atual pandemia.

Rodeada de bichos e vegetação, ela aguarda retomar seu planejamento e realizar o sonho de visitar as cataratas do Niágara, no Canadá.

Ela ainda diz que quer conhecer muita coisa. E a gente torce para que isso aconteça.

E aí, gostou de conhecer a história inspiradora da Josefa? Conhece alguma mãe ou avó que gostaria muito de viajar, mas não sabe por onde começar? Manda esse post pra ela!

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2 thoughts on “Mães que viajam: Conheça a história da Jô

    1. Ficamos muito felizes em saber que a história da Jô te inspirou! Um abraço dos seus amigos da Resolvvi.

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